“A
natureza se regozija na natureza, a natureza comanda a natureza, a natureza
conquista a natureza.” (Bolo, o Demócrito)
I
Varanda da casa, Josué lê o jornal de
domingo. Chuva fina, preguiçosa. Cheiro de terra molhada. Uma pequena horta no
jardim. Atrás, a mata. Sobre a mesa, aipim frito que Leonor acabou de trazer da
cozinha. De lá vem também o cheiro da feijoada que logo mais todos comerão. Alessandra,
deitada na rede, olha para Josué. Nada diz. Apenas sorri. E volta à leitura de
um livro.
II
Noite morna. Dona Inês acende o
cachimbo. Está na sua cadeira de balanço e gosta de contemplar o céu noturno
sem lua, enquanto rememora passagens dos seus oitenta e sete anos vividos. A
fumaça doce do que deixa de ser o fumo de chocolate alpino atravessa a varanda,
entra na sala de jantar e percorre o longo corredor até sair da casa pela porta
dos fundos na cozinha.
III
Gaivotas brancas sobrevoam a praia. A
vegetação nativa, rasteira, pouco enverga com o vento que vem do mar. Há uma
mulher, sozinha, sentada na areia perto da arrebentação. Os pés estão descalços
e a cada quatro ondas, uma os encobre. Ela observa o sol no horizonte, que
subjuga março em vermelho sangue.




2 comentários:
Sempre preciso na arte de dizer muito em poucas palavras.
Parabéns!
Beijo
Chris Angelotti
Muito bom o blog .. seguindo .. e já está na minha lista de blogs no meu ..
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