Por Rogers Silva
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Como assim?! Ok, sei que esse – o título deste texto – é o grande motivo usado por muitos para justificar a não-compra e, também, a não-leitura, seja de literatura ou não, no Brasil. Sei, por isso, que corro o risco de ser linchado por essa afirmação. Os motivos de existência deste texto surgiram a partir de uma entrevista d’O BULE, feita com a escritora Ana Paula Maia. Perguntei-lhe o seguinte: Acha que é possível dissuadir um indivíduo de comprar um celular de R$ 1.000,00 e instigá-lo a comprar 15 livros e um celular de apenas R$ 500,00? A partir dessa provocação, eis abaixo os meus argumentos, com os quais pode o leitor concordar ou não.
Se analisarmos o preço bruto do livro (embutidos aí os impostos), sem quaisquer aprofundamentos, com certeza que este objeto no Brasil é caro. Afinal, num país em que grande parte da população ganha menos do que R$ 1.000 (por família), pagar R$ 30, R$ 40 por um livro não é pra qualquer um. Esse valor é o que muitas famílias brasileiras gastam mensalmente com verduras, legumes e frutas. Quem negará que esses alimentos são mais importantes do que um livro? No entanto, diariamente somos compelidos a fazer escolhas, e é aí que o preço do livro não pode ser considerado uma desculpa para quem – para um país – que sempre desprezou (despreza) a leitura e a literatura. Basta afirmarmos que sempre escolhemos por não comprar livros. Sempre escolhemos por não comprar conhecimento. Mentira?
Conheço (todos conhecemos) indivíduos que ganham R$ 800 mensais e compram celulares de R$ 1.000. Pagamos R$ 40 para assistir uma partida de futebol, mas não pagamos o mesmo valor por um livro. Tanto o futebol quanto o livro possuem a sua importância e proporcionam prazeres, embora diferentes. Muitos pagam R$ 100 por sexo, mas não têm coragem de pagar menos da metade disso pelo prazer proporcionado por um bom livro. Em época de Copa, dividimos – em 12 parcelas – uma televisão de 42 polegadas de mais de R$ 2.000, mas não compramos livros. Compramos roupas caras; não compramos livros baratos vendidos em sebos. Pagamos TV a cabo com seus canais – a maioria – inúteis. Não compramos livros. Juntamos em armários, gavetas e guarda-roupas quinquilharias compradas mas nunca usadas. Mulheres pagam caro por plumagens, balaiagens, reflexos, hidratações, manicure, pedicure, escova progressiva, cauterização etc. Na noite, gastamos de R$ 50 a R$ 100 com boates e bebidas. Bêbados, não compramos livros. Comemos, felizes, sanduíches ruins do McDonald's, e pagamos por eles. Há famílias que tomam uma coca-cola de 2 litros por dia; com isso gastam aproximadamente R$ 120 por mês. Muitos pagam R$ 25 por um cd do Zezé di Camargo e Luciano. Alguns, os que preferem outros tipos de drogas, gastam dinheiro com maconha, crack, cocaína etc. Drogados, não compramos livros.
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Sob esse prisma, eis que surge a dúvida: afinal, não compramos livros porque são caros ou porque optamos por gastar nosso precioso dinheirinho com coisas mais úteis?
Aqui, não nos cabe julgar o valor de cada produto (sim, tudo o que foi citado não deixa de ser um produto) para cada pessoa. Para muitos, um sanduíche do McDonald’s é mais importante do que um livro. Para outros, ouvir ou ir a um show de Zezé di Camargo etc. é muito mais prazeroso do que ler Memórias póstumas de Brás Cubas. Independente da utilidade relativa e do prazer (sim, pedante leitor, literatura é, antes de tudo, prazer) proporcionado por cada item (garota(o) de programa, coca-cola, celular, luzes no cabelo, cerveja, Zezé etc.), sempre reclamamos que não compramos (não se compra) nem lemos (não se lê) livros no Brasil por conta do preço. Uma grande mentira. Por que nunca, ou quase nunca, reclamamos do preço da coca-cola diária, da entrada da boate, das cervejas dos finais de semana, ou da manutenção da nossa vaidade? Se reclamamos, mesmo reclamando adquirimos todos eles. Por outro lado, reclamamos do preço do livro a fim de NÃO adquiri-lo. É uma estratégia mental. É uma estratégia cultural.
Até agora estamos discutindo sobre valor, preço e compra do livro em detrimento do valor (que damos), preço e compra de outros utensílios. Ou seja, a discussão é mais sobre adquirir pra si o livro do que propriamente sobre sua leitura. Poderíamos confrontar a desculpa da não-leitura com a desculpa do preço alto do livro. O discurso, a desculpa se sustentaria? Mas essa é uma questão para outro texto. Para outras malaguetas.



24 comentários:
Fiz uma experiência aqui no trabalho: disponibilizei alguns dos meus livros para empréstimo, achando que ninguém fosse se interessar (não tenho colegas de trabalho com o hábito da leitura). Para minha total surpresa, tenho fila de interessados em tomar os tais livros emprestados. E quem me devolve, agradece pela iniciativa e faz questão de opinar sobre os livros, o que me parece um sinal de interesse.
Vejam: os celulares estão em toda parte: belos, cheios de recurso, parceláveis em "n" vezes sem juros, em "n" lojas. Os livros, onde estão? Não se vê uma Lady Gaga com um livro na mão, mas em cada videoclipe ela está com um modelo diferente de celular.
Não há como negar a presença da Lady Gaga ou da publicidade nas nossas vidas.
Portanto, leitores, não acredito que a falta crônica de leitura no Brasil se deva ao alto preço dos livros, e sim, à falta de estímulo à leitura. Seu filho, sua esposa já foi incentivado a ler um livro? Você, já foi?
Andava com um grupo de amigos. Eu tinha pouca grana, sabe como é, minha mãe solteira, eu com 3 irmãos mais novos. Comprava livros e os poucos garotos que liam me pediam emprestado. Sempre emprestava meus livros, muitas vezes não os via de volta. Com pouca grana, andava mal vestido, roupas velhas, manchadas. Meus amigos estavam sempre com camisetas novas, das bandas que curtiam, bicicletas novas, tênis de 300 reais.
Nunca senti mágoa por isso até crescer e sentir falta dos livros perdidos. Ainda uso roupas velhas.
Rogers, mais uma malagueta lucidamente ardida. Hahahaha. Não posso discordar, quando vi o título já tinha armado minhas pedras para jogar, mas você fez todas as ressalvas que deviam ser feitas, foi uma análise quente, mas equilibrada (mostrando que não precisamos APELAR para conseguir cutucar as feridas que devem ser cutucadas).
No final do seu texto eu só fiz uma alteração, para criar um final meu: "Ou seja, a discussão é mais sobre" VALORES.
Não é a toa que para onde você olhar na sociedade, numa análise sobre os mais diversos temas, os valores, a crise dos valores humanistas e a consolidação dos valores de mercado, vão ser uma, senão a principal problemática a ser enfrentada. E os VALOR é a "unidade" da Moral. Por sua vez MORAL é um tópico de discussão filosófica e está inserida no campo da CULTURA (fabricando-a e sendo fabricada por ela) e aí embolou tudo por que você entra num campo que muda muito gradualmente (chega a ser irritante) e um dos campos mais difíceis de mudar. Problemáticas sociais, va lá: Problemas Complexos, Soluções Complexas (Salve Edgar Morin).
Sempre fui influenciado pela leitura por uma mãe que é formada em Letras, foi professora e hoje da cursos aqui e ali no orgão estudual em que trabalha. Nunca tive dinheiro MEU, até esse último mês (comecei a dar aulas particulares depois de ter passado no vestibular)... Adquiri 3 livros (um do Tolkein e 2 da Ana Paula Maia que acabo de fazer o depósito no banco hahaha).
Por fim, o comentário/depoimento da(o) salvaterra foi um "texto independente", muito legal. Essa é minha deixa.
Até a próxima malagueta.
Genial!
Um tapa na cara dos incultos por opção, disfarçados de pessoas de poucas posses.
Prezados, Boa Tarde, estamos num Pais que o Presidente, com toda sinceri// que o caralhocteriza,que em seus primeiros discursos diz;"Ler é chato", ao que adendaria"prá burro"!!O que podemos esperar?? Somos formiguinhas na batalha, a favor da literatura, num cipoal eletrônico, cibernético, que é muito mais palatável q. o livro. Eu mesmo considero-me um "videóta". Isso não é uma crítica aos q. preferem a tv, etc. antes é um modesto diagnóstico, para q. possamos nos "armar" adequada// p/ esse eterno embate. Blogs como o de vcs. valorizam os que gostam de ler e segura// incitam a novos seguidores. Parabéns pelo trabalho de vcs.q. tenho certeza é ENORME!!
Abs; Ralph Peter
Não é as massas que não leem que reclamam que livro é caro. Eles nem notam isso. Quem reclama é leitor. Principalmente leitor que tem acesso a biblioteca.
Olá, Adriana, é bom saber que alguém tem ações como a sua, de disponibilizar livros para colegas que, teoricamente, não possuem o hábito da leitura. Mais interessante saber que eles pareceram se interessar não só por pegar o livro como também por lê-lo e comentá-lo.
Salvaterra, obrigado pelo comentário.
Tbquerofalar, muitíssimo obrigado pelo comentário. Que bom que colocou as pedras no chão e não as jogou. Menos um machucado! Sua discussão sobre ‘valores’ é bem sensata. Qualquer dia talvez publicamos um texto sobre eles e sua relação com a literatura por aqui ;)
Alfer Medeiros, obrigado também pelos comentários.
Ralph Peter, sua constante presença aqui nos deixa muito felizes. E obrigado pelo elogio ao BULE.
André, você tem razão em afirmar que os mais reclamam são os próprios leitores, ou seja, aqueles que possuem o hábito da leitura. A meu ver, esses também fazem parte da massa e praticam todas as ações descritas no texto. Eles, inclusive, também optam por comprar outros utensílios mais importantes ao invés de comprar livros.
Achei muito boa a matéria. Eu concordo com o que você disse. Lógico que vivemos em um país desigual, onde, infelizmente, não sobra praticamente nada para as pessoas gastarem em cultura. No entanto, a falta de hábito e interesse pela leitura fala alto. Num sebo você pode comprar um livro por 9 reais. Livrarias também costumam fazem promoções. Se as pessoas lessem um livro por mês já faria a diferença. Eu acho engraçado como muitas pessoas sem condição financeira preferem gastar 300 reais (ou mais)num tênis, mas não pagam 10 reais em um livro. Isso é muito louco.
No Rio nem há a desculpa dos altos preços, por causa da feira de livros intinerante, que roda de bairro em bairro durante todo o ano, com livros que vão de usados a 1 real até novos por metade do preço na livraria.
Concordo com seu texto, Rogers. Mas acho que a coisa está além do preço. Acredito mais que falte estímulo (como alguém bem colocou acima); que falte algo que desperte o interesse em, ao invés de gastar seu dinheiro comprando uma blusa, por ex., se compre um livro. Quem lê, e gosta disso, se sente tão tentado a ter um título que dá o seu jeito de separar aquela quantia para comprá-lo. Faz, digamos, um "sacrifício" (quando a renda é modesta, abre mão de comprar uma blusa cara, e joga a grana pra compra do livro). Mas isso só acontece se há o interesse no objeto. O mesmo se dá ao contrário: há muito interesse em estar plugado em novas tecnologias (ex dos celulares), então vou guardar meu dinheiro pra comprar um aparelho moderno etc. Para mim, tudo parte do interesse, e das prioridades.
Não digo, com isso, que brasileiro esbanja dinheiro e que pode comprar livros. Não mesmo. Mas há grupos de pessoas que visivelmente empregam seu dinheiro em algo que mais lhes interessa; isso a gente vê ao nosso redor. É fato.
Agora, só pra finalizar, o que faz dos bestsellers, e dos crepúsculos da vida, grande sucesso de venda? Quem os compra? Compram por que o dinheiro sobra, ou compram porque há, antes de tudo, o interesse em ler aquelas histórias?
Em tempos de Copa, jogo a bola pra você, Rogers, rs.
Um abraço!
Muitas pessoas não leem porque associam leitura com aborrecimento, com tédio, nunca a um prazer ou opção de entretenimento - uma forma de ocupar o tempo muito mais proveitosa do que ir ao show do Zezé Di Camargo. De modo que acham absurdo pagarem por algo que, para eles, não é nem um pouco prazeroso. Vire e mexe tem alguém que me pede um exemplar do meu livro. Quando digo que preciso vendê-lo, a cara que fazem diz mais ou menos o seguinte: “olha, estou quebrando o galho em querer ler o seu livro e você ainda quer eu pague por isso?!”. Desconversam, acabam não comprando. E não comprarão livro em lugar algum. Basta lembrar que as bibliotecas municipais estão repletas de bons livros – leitura gratuita – e poucos as freqüentam por livre e espontânea vontade. Mais do que o hábito da leitura, é preciso incutir no brasileiro o gosto pela leitura. Quem gosta de livros não se importa de pagar por eles.
Abraços.
W.G.
Débora e Rebis, muito obrigado pela sua contribuição. A questão dos sebos, das promoções de livros em livrarias e na internet, das bibliotecas etc. dá outro texto para a série Malagueta. Quem sabe?...
Bruna, você – e várias pessoas que comentaram sobre esse viés – tem toda razão quando fala da falta de estimula à leitura, e o culpado somos todos nós: escritores, amantes da literatura, críticos literários, pais, escolas e professores. Sobre as questões levantadas por você, elas dão outro texto para a série. Aproveitarei as idéias ;) Bêjo.
W.G, muito boa sua contribuição a esse texto. É fato o que você disse sobre muitos acharem um absurdo em pagar pra obter e ler um livro. Pagam por teatro, por cinema, por futebol, por parque de diversão, por shows etc., mas não pagam por literatura/livro.
Pergunto ao autor: e quem tem dinheiro, compra livros e não os lê? Já ouvi falar de casos absurdos de pessoas que ligam para a livraria e pedem livros POR METRO.
"Meu filho, me vê aí três metros de livros que eu preciso ocupar um buraco na minha estante. Qualquer coisa. Só coloque uns clássicos no meio, tipo Dostoiévski, Proust, esses caras. Camus e Chico Buarque também, que são chiques. Depois me dá a conta e eu passo o cartão de crédito e peço pro meu motorista retirar".
O buraco é mais embaixo. Não se trata de somente substituir um consumo (de celulares de R$ 1.000,00) pelo outro (de livros), mas de mudar a maneira como as pessoas se relacionam com as coisas, de eliminar o fetiche em relação à mercadoria - qualquer que seja. Isso implica numa mudança radical da sociedade como um todo, o que nem todos estão a fim de encarar. Espero que o próximo texto trate dessa questão.
Bela reflexão. Concordo com tudo.
Abraço,
CC
Ler ou não ler, eis a questão, ou não. Normalmente apenas leio, mas esse post me inspirou porque lembrei de alguns fatos da minha infância que peço licença para comentar. Não creio que leitura dependa somente do fator "dinheiro",apesar de muitas vezes o preço absurdo de alguns livros chegam a doer e o leitor ficar namorando até conseguir por outras formas. Leitura é um hábito que depende de inúmeros fatores, principalmente, da família e da escola. Qual o valor social da leitura para cada um? E, principalmente, o que eu considero leitura é a mesma coisa para o outro? Comprar livros nem sempre garante que será lido, pois ter uma estante repleta carrega uma simbologia e tanto. Lembro que quando menina, visitava uma casa e ficava horas admirando a biblioteca, parecia algo sagrado, mas nunca via as pessoas lendo. Já em casa, não existia biblioteca, mas onde se olhava encontrava um Tex, um faroeste de bolso, um "livro de escola", um romance, fotonovelas, revistas do Conan, e muitos outros. Foi assim que li A metamorfose pela primeira vez aos 12 anos. E dinheiro sobrando não havia mesmo. Entre dez irmãos numa cidadezinha do interior, os livros eram emprestados, trocados, lidos pela curiosidade mesmo. Meu pai gostava de ler e esse gosto foi nascendo de forma natural entre nós. Cansei de ver o estranhamento de amigos por estar mergulhada na leitura e também de se interessarem por livros por conta dessa paixão.
Acho que até meus dezonove, vinte anos nunca comprei um livro, mas lia vários. Então, no meu caso, a escola nunca foi muito forte na questão da leitura, mas o gosto familiar, de um pai leitor, mesmo com apenas o ensino fundamental, foi o mais importante. E meu gosto pessoal, pois ler é um valor para mim, algo que sempre foi mais importante que muitas outras coisas. É nesta questão do valor que devemos insistir.
Tânia
De fato o preço do livro para a realidade social do país é alto, contudo, há uma presença nefasta da ideia de que só gozamos a vida se estivermos a consumir algo supérfluo, pois não é necessário, mas sim desejo.
Há coleções de bolso que comercializam boas obras em um preço igual ou inferior a R$10,00, portanto, um livro pode custar menos que uma pizza.
Há muita gente pasando fome no Brasil, e não é destes que se deve falar, mas dos muitos como você bem citou que possuem condições mínimas e preferem atender ao ideal capitalista de vida, como diria o Frei Betto: "Consumo, logo existo."
Parabéns pelo ótimo texto! Já ouvi muitos argumentos pra justificar a falta de leitura no Brasil, mas os discursos, em sua maioria, são sempre muito polarizados e usando argumentos prontos sobre preço de livro e questões de educação. O teu texto extrapolou a questão e deu ainda alguns dados mais ou menos empíricos. Valeu mesmo.
Aproveitei e joguei no Twitter, porque texto bom tem que circular.
Grande abraço.
Eu concordo com o comentário da Adriana e de outros sobre a compra do livro. A leitura de um livro, em sua maioria, se deve à falta de interesse das pessoas, sendo pobres ou não. Sim, eu pago 40 reais num livro, mas conheço muita gente que paga 100 reais na balada e em nada mais. E também conheço muita gente que nunca foi ao Mc Donalds (e isto é verdade) ou ao cinema (a mesma pessoa, por sinal) porque não tem dinheiro, mas a família que ela serve como faxineira, com muito mais dinheiro, não lê da mesma forma e por motivos diferentes.
A leitura se remete a um estado de espirito e de vontade, e a maioria não possui isto. Há livros baratos, no metrô em São Paulo, máquinas de livros espalhadas pelas estações, como aquelas máquinas de doces, com títulos a menos de R$10. E, desde que estas foram instaladas, só vi uma pessoa comprando além de mim.... Uma pessoa colocando a mão no bolso e comprando um destes livros de máquina!
Eu concordo que muitos usem como desculpa o preço, mas esta desculpa já caiu há muito... Agora a desculpa é o tempo pra leitura, que dizem não existir, é a própria falta de interesse, é o filme que fizeram do livro que é menos cansativo e assim vai.
E, quando você estimula a leitura, como fez a Adriana no comentário acima, as pessoas ficam com vontades, com curiosidades. E se você conta parte da história ou do tema, conhece gente que quer conhecer o livro.
A idéia, infelizmente, é pegar o povo pela mão para que consigam atravessar a rua e sair do lado da ignorância literária, para chegar ao lado da cultura plena, seja literatura, a música, o teatro, museu ou outra forma de literatura. Só assim muitos tentarão arriscar-se neste mundo.... mas nunca todos.. nunca!
O preço é desculpa, sim, sem dúvida. Porque ninguém vai dizer 'eu não compro livros porque não tenho vontade de ler'. Agora, quanto às decisões de gasto financeiro, quanto mais tivermos uma sociedade altamente estimulada para adquirir produtos desnecessários e fúteis, mais nos transformaremos em aprendizes do cidadão-médio-Homer-Simpson norte-americano...
Genial, adorei mesmo. Sempre falei que o vício da leitura é (era) caro. Sempre guardo cerca de R$150,00 a 200,00 por mês pra gastar com livros. Como muitos, é simples, amo ler e amo livrarias. E confesso que sempre "reclamei" (na verdade, reclamo em parte, pq acho que é dinheiro bem gasto) do preço desse vício. Mas vendo por esse lado, Rogers, vc está certo. Gastamos com tantas porcarias, que na verdade, sobraria bastante pra se comprar livros. Vou usar dessa tática!!Obrigada, Michele.
Faz tempo que não pago mais de R$10 num livro. O que estou lendo agora me custou R$2 e é um clássico: O Grande Gatsby. Acho que as pessoas devem continuar comprando celulares e deixando os livros do jeito que estão, porque posso comprá-los por um preço maravilhoso. Os sebos são os últimos lugares decentes justamente porque a patuléia ainda não os alcançou.
À respeito do cidadão que disse que nos tornaremos cidadãos-homer-simpsons-americanos, posso dizer que está um pouco mal informado.
Os EUA tem mais de 800 revistas literárias especializadas. O Brasil tem o que? O Caderno Literatura do Globo, aquela pseudo-crítica?
por favor...
Um ponto que sempre é esquecido nessas discussões e o papel das editoras!
O McDonald's e a Coca-Cola a anos vem sendo considerado um mal na alimentação das pessoas e mesmo assim as pessoas continuam comprando. Porque estas empresas investem em marketing, estão sempre na mídia, exemplo o McDonald's que lança bonecos de filmes e agora em época de copa cria novos produtos.
E que as editoras fazem? praticamente nada!
Crepúsculo, Harry Potter e Código da Vince mostrou que inserindo os livros na mídia, eles vendem e muito bem.
Entendo o ponto de vista e concordo, mas coloco uma grande parte da culpa nas editoras com suas "baixas vendas". Livros é uma indústria que tem que vender e atrair sempre novos consumidores, mas num vejo isso, editoras só aparecem para o consumidor quando diz:"As vendas estão em baixas", " A pirataria destrói a indústria de livros". As editores tem obrigação de criar um interesse dos consumidores em comprar seus livros.
Obs: "baixas vendas" - Para mim isso é só uma desculpas das editoras, pq se isso fosse verdade muitas das grandes editoras teriam falido. Elas estão numa zona de conforto, querem aumentar o lucro sem gastar. Pesquisa o quando o McDonald's e a Coca Cola gasta em divulgação do seus produtos.
Discordo do Khevenhüller, acho que atitudes e pensamentos do tipo não ajudam em nada o desenvolvimento da literatura por aqui.
Primeiro dizer que ainda bem que a "patuleia" não tem acesso aos livros e depois reclamar, daquela maneira típica, comparando um fato de um país desenvolvido com o Brasil.
Só existiriam mais publicações a respeito se existisse mais público. Essa "síndrome do underground" que leva algumas pessoas a excluírem e menosprezarem o resto da população só ajuda a manter os livros à distância de um público em potencial.
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